24 de março de 2010

Renascer das Cinzas

Eu queria falar desse sentimento que assolou o meu corpo. Digo, meu corpo ao invés de meu coração, pois como febre se instalou em cada pedaço dele. Está divida entre meus braços, costas, pernas, olhos, boca, barriga. No jeito que eu respiro, vejo, sinto... Toda pequena ação se dá de um jeito estranho e complicado.

Isso é o que acontece quando você passa a acreditar em coisas além de: sua família, trabalho, cachorro ou no seu poder de decisão sobre que sabor de sorvete exótico você vai provar numa tarde de calor intenso. Ou quando o seu sorriso não está atrelado à lembrança do abraço do seu pai, à quando percebe que sua roseira te presenteou com seis rosas ao mesmo tempo ou ao jeito que o seu quarto fica iluminado quando o sol o invade, trazendo junto a sombra do pé de romã.

A sensação de despencar de um prédio pode ser gotosa no começo, mas quando se percebe que você vai dar com a cara bem no meio da calçada, podendo assim, até destruir coisas e pessoas você se dá conta que não é lá muito agradável.

Antes de você pular, ainda no parapeito, seus amigos alertam que você não deveria fazer isso ou no mínimo prender-se a uma corda de segurança se fosse realmente fazer, pois a maioria acredita que isso é só mais um ensaio seu pra chamar atenção.

Aí, você pula, maluca. Com um sorriso no rosto lembra a todos: “I´m a big girl.” Pra que corda de segurança e porque não pular? E a queda parece durar uma eternidade linda de prazer e gozo onde sua cabeça e corpo estão livres. Onde o seu coração bate tão rápido que parece que vai sair pela boca. Mas tudo bem... Porque você está tão feliz de ter feito e por ter se permitido voar novamente...

Quem sabe o tamanho da queda? Antes ter pulado a não ter vivido, não é mesmo?

Mas agora você está bem perto do chão... tá vendo como ele se aproxima rapidamente ... E você percebe que novamente irá se juntar, catar cada pequeno pedaço e se recriar. Bem provável que você fique um pouco diferente, não tão perfeita como antes, um pouco mais complicada talvez, porque tem partes que serão fáceis de serem encaixadas e outras serão um pouco mais complicadas, talvez falte um pedaço... E você não o encontre em lugar algum e como uma estrela do mar você se regenera, e como uma fênix você ressurge das cinzas.

Ai você olha pra cima e pensa: “Onde eu estava com a cabeça quando resolvi pular? Nunca mais vou brincar disso.”. E tudo isso só aconteceu porque alguém, sem que você percebesse, te guiou até o alto do prédio e chegando lá te disse: “Vem sem medo! Vem voar comigo! Qualquer coisa eu te seguro!” e você acreditou...

Mas nunca é assim... (e isso, você já deveria saber.)

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